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Na lembrança dos que já foram revisito o que fui, e vem a dúvida do que serei. Quando eu me for e aqueles que me amaram também forem, já nem lembranças serei. Resta-me, então, apenas o agora — a gratidão por esse instante, pois o ontem já foi e o amanhã escapa sempre na borda do tempo. 
Quando me olho no espelho, quantas arestas ainda percebo por aparar? E então me lembro: para cada aresta aparada, mais duas eu perceberei. Percebendo a impossibilidade de me tornar liso, restou-me apenas amar o processo de virar escultor de mim mesmo.
Quem tem medo da escuridão não consegue apreciar o brilho das estrelas. E quem tem medo da solidão não ouse se apaixonar — o amor também tem as suas noites. E poderia ainda dizer-te: nas noites de lua cheia   as mais belas constelações   perdem seu esplendor —   ofuscadas pelo seu brilho.
Compartilhamos o mundo, mas meu universo é só meu. Suas leis são minhas convicções, e apenas eu me submeto a elas. Meu modo de pensar, de viver, minhas crenças — verdades só minhas, que podem ou não ser verdades para você. Em meu universo, o pouso de uma abelha em uma flor talvez seja um ato divino. Em meu universo, E ainda assim, respeito o seu medo da dor do ferrão. 
Minhas palavras disfarçam, escondem a criança que ainda sou. Minhas ações, meu olhar, a revelam discretamente, como se minha mente não conseguisse contê-la. Ela está no choro contido, no colo não pedido, na necessidade de carinho reprimido. Mas quando vejo a chuva, quando seus pingos tocam meu rosto, ela ressurge — parecendo fogo que brota da água, como uma fênix que renasce, e em mim ela volta a sorrir.  
Que eu seja a paz que tanto busco, que leve o amor que desejo receber. Que meu sorriso seja motivo de alegria, e faça você sorrir também. Mas, quando eu chore, que não lhe cause tristeza, e sim gratidão, pela chance de ser o acalento, o amparo de alguém. E quando eu me for,  que a saudade preencha o vazio, na esperança de que nas diversas espirais existenciais possamos, um dia, nos reencontrar. 
Contemplei o sol, as estrelas, a lua e sua magia. E, nas crianças, um dia, passei a ver, além do olhar, algo na forma como riam, como se divertiam, Poderia parecer que foi assim que percebi a necessidade de escrever poesias. No sol que se põe e depois volta a nascer, nas árvores que, todo ano, tornam a florescer, e nas abelhas que, de flor em flor, não param de voar para o néctar coletar. Também no sorriso despretensioso, no "bom dia", e no abraço caloroso. Mas o principal foi o significado de um belo nome.